Este site pertence a Leopoldo C. Baratto, fundador e coordenador do PlantaCiência. 2019.
 
logo2.jpg

PLANTAS

Foto: Leopoldo C. Baratto

Espinheira-Santa

Nome científico: Monteverdia ilicifolia (Mart. ex Reissek) Biral

Família: Celastraceae

Origem: planta nativa

Parte usada: folhas

Usos populares: úlceras gástricas e duodenais; gastrites

Composição química: catequinas, taninos condensados, triterpenos (friedelina e friedelanol), flavonoides, alcaloides e polissacarídeos

Farmacologia:
 

     Um dos mecanismos de ação é semelhante ao fármaco cimetidina, um inibidor dos receptores de histamina tipo H2 no estômago. A histamina, quando se liga no receptor H2, ativa a bomba de prótons (H+-K+-ATPase) produzir ácido clorídrico. Outro mecanismo que parece estar envolvido é o mesmo do fármaco omeprazol, com a inibição direta da bomba de prótons (H+-K+-ATPase), diminuindo assim a acidez estomacal. Os extratos da planta também possuem ação bacteriostática contra a Helicobacter pylori, bactéria responsável pela maioria dos casos de úlcera gástrica na população. Os taninos e polissacarídeos (por exemplo, pectina) presentes nas folhas são capazes de formar uma camada protetora na mucosa gástrica, protegendo os danos do ácido clorídrico na parede estomacal.

    Um recente estudo clínico de Fase I, com resultados publicados em 2017, avaliou a segurança do uso de comprimidos de extrato padronizado de folhas de M. ilicifolia (41,6% de polifenóis totais e 18% de taninos) em 24 pacientes saudáveis. O extrato se mostrou seguro em humanos até uma dose de 2000 mg/dia. Os efeitos adversos relatados pelos pacientes não foram significativos, entre eles poliúria e xerostomia (boca seca), este último devido à adstringência dos taninos. Ambos os sintomas tiveram remissão espontânea, sem necessidade de medicação. Além do mais, estudos toxicológicos em animais evidenciaram que os extratos da planta não causam outros efeitos adversos de maior gravidade. Em ratas grávidas, os extratos não interferiram no desenvolvimento fetal, assim como não foram observados efeitos teratogênicos e mutagênicos.

Fontes para consulta:

Baratto, L.C. Espinheira-Santa. Revista A Flora. Número 01. Pg. 3. Sociedade Brasileira de Farmacognosia: Rio de Janeiro, 2020.
 

Cunha-Laura, A.L.; Auharek, S. A.; Oliveira, R. J.; Siqueira, J. M.; Vieira, M. C.; Leite, V. S.; Portugal, L. C. Effects of Maytenus ilicifolia on reproduction and embryo-fetal development in Wistar rats. Genetics and Molecular Research, v. 3, n. 2, p. 3711-20, 2014.

 

Tabach, R.; Duarte-Almeida, J. M.; Carlini, E. A. Pharmacological and Toxicological Study of Maytenus ilicifolia Leaf Extract. Part I - Preclinical Studies. Phytotherapy Research, v. 31, n. 6, p. 915-920, 2017.

 

Tabach, R.; Duarte-Almeida, J. M.; Carlini, E. A. Pharmacological and Toxicological Study of Maytenus ilicifolia Leaf Extract Part II-Clinical Study (Phase I). Phytotherapy Research, v. 31, n. 6, p. 921-926, 2017.

*Autor deste texto: Leopoldo C. Baratto.