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As cores da moda em 2020 serão as da natureza

Você já ouviu falar em tingimento natural de tecidos? A técnica que transforma elementos da natureza em cores é milenar – e era usada por civilizações ancestrais ao redor do mundo, do Egito antigo aos indígenas da América Latina. Com a chegada da Revolução Industrial no século XVIII, o cenário da coloração têxtil mudou e os corantes sintéticos começaram a ser explorados em larga escala pelas fábricas, enquanto o método artesanal foi perdendo espaço.

Com a consciência cada vez maior sobre o impacto que a indústria da moda e o consumo acelerado causam ao meio ambiente, o fato do segmento têxtil ocupar as primeiras posições entre os maiores poluidores não pode mais ser ignorado. Por isso, em uma espécie de resgate do contato e do respeito à natureza, trabalhos como o tingimento natural vêm ganhando mais espaço no mercado e recebendo uma grande procura de marcas e consumidores.

Não precisamos ir muito longe para observarmos as cores da natureza. Basta uma olhada rápida ao redor para se deparar com o marrom dos troncos das árvores, o verde das folhas e o colorido de flores, sementes e raízes. É com base nessa matéria-prima que o tingimento natural é feito. Existem algumas técnicas para aplicar a tinta orgânica nos tecidos, entre elas, o tingimento liso, que colore a peça por inteiro com uma tonalidade; a impressão botânica, que estampa a superfície com o formato de plantas; e a shibori, que usa dobraduras no pano para criar diferentes padronagen.

"O tingimento natural é como cozinhar. Para retirar o extrato de grande parte das plantas, é preciso fervê-las com água em uma panela por cerca de 40 minutos, como uma espécie de chá. É esse líquido colorido, depois de coado, que será usado para dar cor à roupa em um tipo de banho. Antes de tingir, é necessário limpar o tecido com detergentes orgânicos e prepará-lo com mordentes, que são substâncias naturais que facilitam a fixação do corante na fibra. Essas são as três etapas básicas", explica a estilista Flavia Aranha, de São Paulo, que comanda sua marca homônima especializada em tinturaria natural.

Praticamente tudo o que está na natureza pode se tornar corante natural. Casca da cebola fervida vira um amarelo claro ou mostarda, folhas de boldo vão do verde desbotado ao musgo, casca ou folhas de eucalipto vão do cinza claro ao chumbo, urucum cria tonalidades do amarelo ao laranja, hibisco dá tons rosados, casca de jabuticaba se transforma do lilás ao marrom, índigo faz diversos azuis... "O processo é uma alquimia, dependendo do mordente que será usado e as misturas que vão ser feitas, o resultado varia. É possível ter várias cores a partir do mesmo produto", diz Flavia.


Tingimento natural.

Clique aqui para ler a reportagem na íntegra.

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