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A ciência por trás dos vinhos da Campanha Gaúcha

Graças à organização dos produtores da região, os vinhos finos tranquilos e espumantes da região da Campanha Gaúcha conquistaram a Indicação Geográfica (IG), que confere o direito de uso do signo que atesta a origem da bebida. Solicitada pela Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), a IG foi concedida na modalidade Indicação de Procedência (IP), cuja obtenção contou com fundamental apoio da pesquisa científica.

O selo garante que o vinho daquela garrafa expressa as características da região na qual foi produzido. Para chegar a esse resultado, a bebida deve ser fruto de uma rigorosa fase de produção de uvas na área delimitada, bem como de elaboração, na qual devem ser atendidos os requisitos estabelecidos no Caderno de Especificações Técnicas, que define desde as variedades de uva autorizadas para a elaboração dos vinhos, até a etapa de sua degustação, quando um painel de especialistas avalia se o vinho pode receber a atestação de conformidade como produto da Indicação de Procedência Campanha Gaúcha. 

A qualidade que o consumidor irá saborear na taça, atestada pelo selo da IP, é resultado de um processo que envolveu cerca de cinco anos de pesquisas, discussões e estudos de um grupo interdisciplinar sobre a região, que elaborou um dossiê, incluindo elementos científicos, gerados em projeto liderado pela Embrapa Uva e Vinho (RS). Esse trabalho fez parte do material analisado pelo INPI e que resultou no reconhecimento da IP.


Como são os vinhos da IP Campanha Gaúcha A partir das sessões de análises de laboratório e sensorial realizadas pela equipe do projeto, o pesquisador Zanus fez uma síntese do perfil sensorial dos vinhos da Campanha Gaúcha: - Os vinhos espumantes apresentam coloração clara ou rosé, são leves, delicados, frescos, de acidez moderada e fáceis de beber. - Os vinhos rosés têm um matiz vermelho-claro ou salmão, são sutilmente frutados, delicados, mas com boa persistência de paladar. - Os vinhos brancos têm predominantemente um matiz palha ou amarelo-claro. Os aromas são finos, variam conforme o caráter de cada uva: varietal Pinot Grigio (notas de pera), Riesling (notas cítricas), Chardonnay (notas de abacaxi), Sauvignon Blanc (notas tropicais e sutil vegetal) e Gewurztraminer (notas de lichia e rosas). A madeira (carvalho) não é muito presente, para ressaltar os aromas da fruta. No paladar são vinhos leves, embora o Chardonnay, muitas vezes - conforme o estilo buscado pela vinícola, possa ser mais encorpado, volumoso e intenso. Quase todos têm uma moderada acidez - devido às noites quentes de verão, com um bom equilíbrio de sabor. São vinhos predominantemente jovens e fáceis de beber. - Os vinhos tintos também são variados, conforme as uvas empregadas. Predominam aqueles de cor com matiz vivo, rubi-claro, olfato de média intensidade, com notas de frutas maduras, variando do frutado intenso no Tempranillo e Merlot, cassis no Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, para as notas mais complexas de menta e especiarias no Tannat, que também pode participar de cortes com as castas tintas. No sabor os vinhos são macios, com acidez moderada, bom corpo e volume. Destaca-se nos tintos o varietal Tannat, uva que amadurece por completo e parece ter encontrado excelente adaptação, originando um vinho de coloração intensa, com boa estrutura, de taninos e de acidez, macio e potente, podendo, inclusive, ser envelhecido por mais tempo, quando adquire elevada complexidade de sabor.


“A originalidade dos vinhos da Campanha Gaúcha amplia e valoriza a qualidade e a diversidade da vitivinicultura brasileira”, avalia o pesquisador Jorge Tonietto, da área de Zoneamento da Embrapa Uva e Vinho.

Clique aqui para ler a reportagem na íntegra.

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