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Fitoterapia, Plantas Medicinais e PICS no município de São Bento do Sul-SC

Por

Ana Carla Prade

Olá a todos leitores e visitantes do “PlantaCiência”. Meu nome é Ana Carla Prade, sou Farmacêutica de Práticas Integrativas, Fitoterapeuta Clínica, agricultora urbana e uma apaixonada por plantas medicinais. Há alguns meses recebi o convite para contribuir com uma coluna nesta linda página que acompanho desde que foi lançada e fiquei extremamente lisonjeada. Finalmente, entre atendimentos no SUS, pandemia e eventos “weblike” consegui uma brecha para entrar em mais uma jornada. E aqui estou.

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A minha proposta é trazer para vocês que acompanham o “PlantaCiência” um pouco da trajetória do trabalho que realizo no município de São Bento do Sul, Santa Catarina, com a Fitoterapia, Plantas Medicinais e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, as PICS. É um caminho que iniciou realmente do zero, porém com muito estudo, criatividade, apoio e sem muito dinheiro conseguimos implementar um programa que a cada ano se solidifica. A ideia aqui é compartilhar a construção deste projeto/programa através de contos descontraídos, para sairmos um pouco do modus operandi habitual do relato científico/prático.

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Me considero, além de servidora pública de coração, uma cultuadora dos saberes de cura, do olhar ancestral sobre as coisas e sobre os seres e acho que tenho também um “que” de bruxa. Portanto, aviso a todos que adoro uma prosa, amo uma analogia arquetípica do comportamento humano (principalmente o feminino) e vou usar um pouco desta minha característica para trazer informações sobre meu fazer em Fitoterapia.

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Nossos encontros serão periódicos e em cada texto/conto compartilharei com vocês as etapas do processo de implementação do nosso programa de Fitoterapia, contando alguns causos que vivenciei nestes quatro anos de história.

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Neste primeiro contato, quero iniciar esta prosa com o primeiro desafio que encontrei. Após o convite do Secretário de Saúde de São Bento do Sul, o médico Manuel Rodriguez Del Olmo, para trabalhar com plantas medicinais em nosso município, a grande questão era: por onde começar? Como farmacêuticos temos noção de processos e procedimentos laboratoriais, entendemos de fármacos, mecanismos de ação, controle de qualidade e diversos outros assuntos cartesianos. Mas “Plantas” é algo muito específico (e amplo ao mesmo tempo). E “Plantas” no Sistema Único de Saúde é um verdadeiro vácuo (ou era!).

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(Aqui merece um “pequeno” parênteses: estou realmente impressionada com a explosão de conteúdo de plantas medicinais, lives, cursos, grupos de trocas de experiências no WhatsApp e tantas outras fontes sobre a Fitoterapia que floresceram desde 2018. Vocês também estão? Gostaria muito de ter acesso a tudo isto quando iniciei minha jornada!)

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Voltando...

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O fato é que em 2017 havia poucas referências sobre Fitoterapia no SUS nos bancos de dados. Existem alguns relatos de experiências muito interessantes, como o da origem de tudo com o Prof. Abreu Matos lá no Cerará, mas as informações não forneciam um norte efetivo para a implementação de um programa de fitoterapia municipal. Você lê o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e há várias formas de trabalhar a Fitoterapia em um município e isto vai depender da realidade de cada um. É algo do tipo: “faça como o seu município quiser e puder, dentro de diretrizes e ações a serem cumpridas, mas sem um bê-á-ba”. Dentro desta variável temos os dois lados da moeda: você não sabe como vai começar a fazer e ao mesmo tempo você é considerado livre para criar. E foi o que fizemos.

De acordo com a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, ambas publicadas em 2006, há várias formas de trabalhar com Fitoterapia no Sistema Único de Saúde. Uma delas é a chamada “Farmácia Viva”. A portaria de consolidação n° 5 de setembro de 2017 define que uma Farmácia Viva deve realizar todas as etapas do processo desde o cultivo, a coleta, processamento, armazenamento, manipulação e dispensação de preparações magistrais e oficinais à base de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Todos os processos que compõe uma Farmácia Viva são regidos pela RDC n°18 de 3 de abril de 2013. Porém, existem outras formas de inserir a Fitoterapia na Rede de Atenção à Saúde e o modelo Farmácia Viva não é o único possível. Apesar do nome convidativo à Programas de Fitoterapia, nem tudo que está no SUS e chama-se Farmácia Viva segue esta legislação. Os municípios podem implantar Hortos de Plantas Medicinais, produzir Fitoterápicos em Farmácias de Manipulação municipais ou fazer como nós:  constituir uma Ervanaria.

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A primeira coisa que chamou minha atenção na época em que iniciamos o processo de implantação do nosso Programa de Fitoterapia foi a questão do território. Ok, vamos trabalhar com plantas medicinais, vamos fazer uma horta medicinal bem linda, mas que espécies escolher para cultivar? Quais as demandas do nosso território? O que a população cultiva? Qual o nosso conhecimento tradicional sobre plantas medicinais? Entrou em cena, então, um dos maiores aliados para o início da implementação de programas de Fitoterapia no SUS: a pesquisa etnobotânica.

Quer saber o resto da história? Acompanha a minha coluna aqui no PlantaCiência.

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Abraços a todos!

Ana Prade.

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