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Obrigada, Rosalind Franklin!

Por

Fernanda Mariath

Revisão: Leopoldo C. Baratto

Nas primeiras aulas sobre o DNA – o material genético, é comum nos depararmos com esquemas de açúcares, bases nitrogenadas e fosfatos, a sua estrutura básica, que até então era unicamente uma dupla hélice. Esses esquemas fizeram parte também das minhas primeiras aulas. Mas antes mesmo de ir aos livros e estudar tais esquemas, tudo começou com uma colagem. Sim, uma colagem em tons de vermelho com uma mulher em destaque. “Essa é a Rosalind Franklin” - apresentou minha professora apontando na tela projetada - “nos livros, vocês lerão que a estrutura do DNA foi descoberta pelos cientistas Watson e Crick, mas isso não é verdade. Pelo menos, parcialmente. Eles só conseguiram descobrir por causa dela e ela nunca recebeu os créditos por isso. Então quero que vocês a conheçam e a admirem”. Naquele dia eu conheci a minha primeira referência feminina de cientista. Foi a primeira associação entre ciência e mulher. Até então, nos livros eu só me deparava com nomes masculinos: Einstein, Pitágoras, Newton, Darwin.  A banda The Weathers Girls diria: “It's raining men”. E não era só uma chuvinha, era uma verdadeira tempestade. Todos os livros didáticos eram preenchidos por cientistas homens. E sendo sincera, eu nem tinha percebido. Eu nunca tinha me questionado: onde estão as mulheres na Ciência?

Depois que essa pergunta surgiu na minha cabeça, não teve mais jeito. Eu saí a procura delas. E elas estavam presentes o tempo inteiro e em todo lugar. É claro que me deparei com as que tiveram muito reconhecimento, como a polonesa Marie Curie, vencedora de dois Prêmios Nobel – inclusive a única pessoa no mundo até hoje a receber dois Prêmios Nobel em categorias de ciência diferentes, e a primeira mulher da Universidade de Sorbonne em Paris. Mas também fui encontrando e conhecendo algumas mulheres que quase foram apagadas. Descobri que onde eu lia Einstein não era apenas Albert Einstein. Afinal, Einstein foi casado por anos com uma física brilhante, Mileva Maric, que contribuiu muito em suas pesquisas e publicações. Sem receber nenhum crédito por isso. Até hoje não se sabe quanto a participação de Mileva foi importante para os seus trabalhos, mas há cartas onde o próprio Einstein chama a famosa Teoria da Relatividade como a teoria “deles” (dele e da esposa) e os filhos contam lembranças dos pais juntos à mesa de jantar discutindo e estudando. Infelizmente, Mileva não está mais aqui para defender sua voz. Assim como a própria Rosalind também não está.

Eu percebi que essa tempestade, além de abafar a voz dessas mulheres, me impedia de enxergá-las. Conhecer a Rosalind Franklin foi um verdadeiro para-brisa na minha vida, me permitindo conhecê-las e “ouvi-las”. Inclusive, a invenção do para-brisa, tão útil para os carros, foi realizada por uma mulher, a cientista Mary Anderson. Então nesse mês de fevereiro quando celebramos o Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, no dia 11, eu convido você a instalar para-brisas. Comemorar esse dia é um passo de reconhecimento de como é importante incentivarmos meninas a serem cientistas e valorizarmos as pesquisadoras. Instale o para-brisa e faça o mesmo questionamento que eu meu fiz: “ondes estão as mulheres na Ciência?” Escute-as, enxergue-as, valorize-as. E, principalmente, incentive as meninas que fazem parte da sua vida a almejarem uma carreira científica. Afinal, o mundo precisa da ciência e a ciência precisa das mulheres.

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