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Rooibos, o chá que vem da África do Sul

Por

Hélio de Mattos Alves

Rooibos (Aspalathus linearis), da família Fabaceae, é originária da África do Sul e é cultivado apenas numa pequena área da Cidade do Cabo. O processo de coleta e secagem gera diversas tonalidades de coloração vermelho-amarronzado, sendo consumido como infusão das folhas e ramos secos e fermentados ou com plantas frescas. Nas lojas brasileiras e nos sites de e-commerce, além do rooibos fermentado, de coloração avermelhada, existe ainda o rooibos verde, que é processado de maneira diferente do rooibos tradicional. No caso do processo de fermentação do rooibos tradicional, as folhas verdes e talos da planta são triturados e fermentados antes da secagem. A etapa de fermentação é, na verdade, um processo de oxidação provocado por enzimas e componentes polifenólicos presentes na planta seca. Por outro lado, no rooibos verde, o processo de fermentação não ocorre, resultando em uma preparação muito semelhante ao chá verde.  Seus componentes mais ativos são duas chalconas glicosiladas: aspalatina e notofagina, flavonoides com atividades antioxidantes. Também apresenta taninos em baixas concentrações. A bioatividade do rooibos é direcionada para múltiplos alvos terapêuticos. Os dados experimentais até o momento incluem efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e antidiabéticos, bem como efeitos modulatórios em termos do sistema imunológico, esteroidogênese adrenal e metabolismo lipídico. Comercialmente as indústrias de alimentos lançam no mercado produtos contendo uma mistura de rooibos seco (Aspalathus linearis), chá preto (Camellia sinensis var. sinensis) e mate (Ilex paraguariensis), mistura essa com alta atividade antioxidante, com 64% de inibição de lipoperoxidação em testes in vitro. O que explica essa atividade é o alto conteúdo de compostos fenólicos da mistura, como os flavonoides kaempferol e rutina, além de (+)-catequinas, (−)-epicatequinas, (−)-epigalocatequinas e (−)-epicatequina-2-O-galato. Os efeitos antioxidantes foram confirmados através da diminuição de 30% de oxigênio reativo gerado em células de hepatoma de carcinoma humano (HepG2) com 240 µg/mL. No ensaio de viabilidade celular contra células epiteliais de adenocarcinoma de colorretal (Caco-2) e HepG2 a GI50 foi de aproximadamente 547 µg/mL e 481 µg/mL, respectivamente. O baixo teor de taninos é importante para o alto consumo das infusões, pois diminui o risco de baixa biodisponibilidade de ferro.  Os taninos são substâncias fenólicas importantes para diarreia, hipertensão arterial, hemorragias, feridas, queimaduras, problemas renais e urinários e processos inflamatórios em geral.  As características moleculares mais importantes dos taninos são: capacidade de se complexar com íons metálicos, atividade antioxidante e sequestradora de radicais livres e por último a capacidade de se complexar com macromoléculas como as proteínas. Algumas doenças degenerativas como o câncer, esclerose múltipla, aterosclerose e o próprio processo de envelhecimento são situações que estão associadas a muitos radicais livres no organismo. E os taninos estão associados com a diminuição destes radicais no meio celular, interceptando o oxigênio e estabilizando os radicais livres. São considerados importantes agentes na luta contra a diminuição do risco de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer ou até mesmo no tratamento de pessoas com doenças de Parkinson e Alzheimer. Os taninos podem ainda proteger o organismo contra lesões, impedindo que radicais livres destruam os lipídios, os aminoácidos e as bases do DNA, evitando danos à célula. Por outro lado, em altas concentrações, os taninos inibem enzimas digestivas e assim afetam a utilização de vitaminas e minerais, podendo causar deficiência proteica ou desenvolver câncer de bochecha e esôfago. Algumas considerações existentes na literatura científica mostram dados epidemiológicas que evidenciam a relação entre câncer esofágico e ingestão elevada de taninos. Contudo, os efeitos benéficos dos taninos os fazem agir como captadores de radicais livres do organismo, que provocam doenças degenerativas como o câncer, esclerose múltipla, arteriosclerose e o próprio processo de envelhecimento, além de serem uma poderosa arma contra a replicação do HIV.

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aspalatina

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