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Benefícios, absorção e biodisponibilidade do licopeno

Por

Carla Cotta

A concentração dos carotenoides nos tecidos vegetais depende das condições agrárias, principalmente exposição à luz e disponibilidade de nitrogênio. A maioria dos carotenoides existentes no reino vegetal, laticínios e carnes em geral são alfa-caroteno, beta-caroteno, luteína, licopeno, beta-criptoxantina e zeaxantina. Como o organismo humano não é capaz de sintetizar carotenoides, nós os obtemos exclusivamente por meio da dieta alimentar. Algumas das principais fontes de carotenoides são as cenouras e as abóboras (alfa- e beta-carotenos), os tomates e seus derivados, como o extrato, a polpa e os molhos (licopeno) e o espinafre (luteína). O licopeno pertence à classe dos carotenoides e é um pigmento (tetraterpenoide) que confere cor avermelhada às cascas e aos frutos, sendo biossintetizado pelas plantas. Particularmente é um carotenoide acíclico sem a atividade pró-vitamina A, ou seja, diferentemente dos outros carotenoides não é convertido em vitamina A no metabolismo. É lipossolúvel e formado por onze ligações duplas conjugadas e duas não conjugadas, todas de configuração trans, quando encontrado na natureza. É tido como o carotenoide que possui a maior capacidade sequestrante do oxigênio singleto, um radical livre, e por isso detém potencial antioxidante, possivelmente devido à presença de duas ligações duplas não conjugadas, o que lhe oferece maior reatividade. A quantidade de licopeno nas frutas e vegetais varia de acordo com a estação do ano, o estágio de maturação, a espécie botânica, o efeito climático e geográfico, o local do plantio, o manejo pós-colheita e o armazenamento. É o carotenoide predominante no plasma e nos tecidos humanos, sendo encontrado em um número limitado de alimentos de cor vermelha, como tomates e seus produtos, assim como em goiaba, melancia, mamão e pitanga. Tomates e derivados aparecem como as maiores fontes de licopeno. O tomate cru apresenta, em média, 30 mg de licopeno/kg do fruto; o suco de tomate cerca de 150 mg de licopeno/litro; o catchup contém em média 100 mg/kg.


Benefícios, absorção e biodisponibilidade

Inúmeros estudos científicos têm demonstrado os benefícios do licopeno na prevenção de diversas doenças como as cardiovasculares, câncer e outras, além de ilustrarem sua ação como fator antioxidante. Cabe, contudo, entender a biodisponibilidade do licopeno para que se faça uma utilização mais apropriada, nos tratamentos, na prevenção de doenças, bem como na prescrição de dietas, aproveitando-se integralmente os benefícios deste carotenoide. O licopeno, na forma natural trans-licopeno, é pouco absorvido. Em média, absorve-se cerca de 10  a 30%, isso devido à configuração molecular das duplas ligações através da longa molécula que levam à formação de complexos proteicos no alimento. Por outro lado, alguns estudos demonstram que o processamento térmico melhora a sua biodisponibilidade através do rompimento da parede celular, permitindo a extração do licopeno dos cromoplastos . A absorção do licopeno ocorre de forma semelhante a dos lipídeos na ingestão diária de alimentos. Pesquisadores têm demonstrado que o tratamento térmico e a homogeneização mecânica do tomate aumentam a absorção do licopeno nos tecidos corporais. Porém, esse cozimento diminui alguns componentes benéficos como os flavonoides, a vitamina C e a vitamina E. O aumento da biodisponibilidade pode ocorrer ainda sob presença de lipídeos na dieta, sob isomerização induzida pelo calor, formando mais cis-isômeros ou sob presença de outros carotenoides como o betacaroteno. Quanto ao processamento dos alimentos fontes, vale ressaltar que a ingestão de molho cozido em óleo resultou em um aumento de duas a três vezes da concentração sérica de licopeno, mas nenhuma alteração foi observada quando foi administrado o suco de tomate fresco. Altas concentrações de licopeno são encontradas nos produtos comerciais preparados à base de tomates tais como molho, polpa, purê, extratos, massa, suco e catchup. Essas concentrações também dependem do tomate utilizado e da produção de sua matéria–prima. Sugere-se que a ingestão de fibras interfira na formação de micelas, levando a uma diminuição na absorção dos carotenoides. Entretanto, os resultados até hoje são contraditórios. Alguns tipos de fibras encontradas nos alimentos, como a pectina, podem reduzir a biodisponibilidade do licopeno, diminuindo a sua absorção, devido ao aumento da viscosidade.


Recomendações e conclusões

Logo, abordando as recomendações ideais de consumo de licopeno para a saúde e prevenção de doenças tem-se que há discordâncias no que diz respeito às recomendações nutricionais de ingestão. Dessa forma, necessita-se de mais estudos para que essa recomendação seja estabelecida às necessidades humanas. Podemos afirmar, porém que são muitos os fatores que podem interferir na biodisponibilidade dos carotenoides, a saber: a matriz alimentar, a forma isomérica do licopeno, a influência da gordura dietética, o processo de absorção, as interações entre os carotenoides, a presença de fibras alimentares e o processamento das fontes alimentares. Sugere-se a quantidades de 4 a 35 mg ao dia, já que maiores dosagens ainda não foram testadas a longo prazo em humanos. Para aqueles que consomem em média duas a três porções de fontes de licopeno nas opções mais biodisponíveis, estarão usufruindo de um suporte salutar deste nutriente antioxidante que além da função de nutrir, proporcionará benefícios extras a saúde. Por mais licopeno na alimentação e excelente saúde a todos!

Estrutura química do licopeno

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